DE VOLTA AO BANCO DA ESCOLA (O BÁSICO)

fonte: imagens google

Todo artista já dever ter tido uma experiência de ter desenhado alguém e um amigo ou parente tenha identificado a pessoa que você retratou (ou não!). Uma estratégia simples que facilita os objetivos do artista consiste em considerar que o crânio adquire sua forma básica quando é pressionado pelas laterais, como se apertasse uma bola de borracha sem mudar seu volume real.
Ainda que os crânios possuem grande variedade de formas, suas medidas reais coincidem quase sempre, pois o volume é semelhante e só difere nas variações dos pormenores. Suponhamos que ao ser modelado o crânio de argila assume sua forma básica quando apertamos o seu volume entre duas tábuas. Assim com o mesmo volume é construído uma cabeça estreita, outra larga, mandíbula prominente e qualquer outro tipo (Como na figura da postagem BIODIVERSIDADES).
Não é nossa tarefa saber por que as cabeças são assim; Só devemos analisar e determinar o tipo de crânio da cabeça que nos propomos a desenhar. Depois, quando vocês estiverem familiarizados com a construção do crânio, será possível mostrar essas variações com tanto sucesso que todos vocês conseguirão um desenho convincente com qualquer tipo de cabeça.
fonte: Andrew Loomis - Drawing The Head And Hands (1956)
Consequentemente conseguirão desenhar qualquer tipo que que lhe for pedido. Quando entenderem como se distribui os músculos sobre os ossos do rosto, poderão variar a expressão da mesma cabeça. Acrescento que a posição do crânio é fixa e, exceto a mandíbula, imóvel, e que os músculos são móveis e sempre mudam, afetando a fisionomia, e determinando as emoções e a idade.
Quando o crânio atinge sua plena maturidade já não muda mais, e forma a estrutura básica para as diferentes aparências dos músculos. Portanto, o crânio constitui a base do esboço, e todos os demais pormenores se constroem sobre ele. Do crânio obtemos os espaços para as feições, cuja importância é maior para o artista que os pormenores do rosto. Os pormenores (tipo: sobrancelhas, olhos, nariz e boca) devem ocupar seu próprio lugar em nossa construção.
Se assim procedermos teremos poucos problemas ao desenhar. Do contrário, desenhar os pormenores sem tê-los situado com precisão é uma tarefa exasperante. Os olhos se apresentam de uma maneira estranha; A boca se contorce em vez de sorrir; A feição fica confusa com tendência a aparentar expressões fantásticas ou diabólicas (Vixe!! –E o pior que isso é verdade). Ao tentar corrigir um rosto mau desenhado, é muito provável que você fique mais confuso ainda. Em vez de corrigir um olho, retocamos uma bochecha; Se a linha do queixo está mau desenhada ao corrigirmos provavelmente o tornaremos demasiado proeminente. Você deve ter em mente que ao fazer os primeiro esboços a cabeça inteira está em contrução.
Estou seguro que mais adiante tais dinâmicas serão apreendidas. A diferença que há entre o trabalho do aficcionado e o do artista experiente é que o primeiro começa desenhando os olhos, orelhas, nariz e boca num espaço branco rodeado por uma sorte de contorno. Isto é desenhar em duas dimensões, altura e largura. Entretanto devemos enxergar tudo em três dimensões, o que significa dizer que você deverá desenhar a cabeça assim como ela se apresenta no espaço e construir as feições sobre ela. Fazendo assim, não só situamos os pormenores com precisão, como também estabelecemos os planos de luz e sombra, ademais, identificamos as protuberâncias e rugas causados pela estrutura subjacente dos músculos, ossos e gorduras.
Para ajudar o principiante no estudo da terceira dimensão, muitos mestres sugerem diferentes didáticas. Alguns usam a forma oval; outros um cubo ou bloco. Outros começam com os pormenores e constroem a figura ao seu redor até completar a cabeça. No entanto, todos esses sistemas podem conduzir ao erro.
A cabeça se parece com um ovo só vista de frente, e isto nos dá a linha da mandíbula. A cabeça de perfil não parece um ovo. E quanto ao cubo, não há maneira exata de colocar a cabeça dentro dele. Quando vista de qualquer ângulo a cabeça é muito diferente do cubo. Todavia a única serventia do cubo no desenho da cabeça é quando precisamos de guias básicos para entender os feitos da perspectiva, (como mais tarde será explicado!). Seria mais lógico começar com uma forma que basicamente se parecesse com o crânio; Algo fácil de desenhar e exato para facilitar a construção.
Isto se consegue desenhando uma esfera que é mais parecida com o crânio, redonda mas achatada nas laterais, e lhe acrescentando a mandíbula e os pormenores. Faz alguns anos que essa idéia me ocorreu, e fiz dela a base de meu primeiro livro, Fun With a Pencil (1939). E para minha felicidade o método foi recebido com grande entusiasmo e agora ele é utilizado extensivamente nas escolas e pelos artistas profissionais. Qualquer método de estudo direto e eficiente tem de pressupor o crânio, suas partes e seus pontos de divisão. Logo é mais acertado começar o desenho de uma circunferência com um quadrado, ao iniciar o desenho da cabeça com um cubo. Eliminado as arestas e depois retocando o quadrado você obterão eventualmente uma círculo aceitável.
Vocês podem também retocar igualmente o cubo até conseguir uma cabeça. Mas na melhor das hipóteses isso é pura perca de tempo. Por que não começar logo com um círculo ou uma esfera? Se não consegue desenhar um círculo, use uma moeda ou compasso. O escultor começa com um modelo da forma geral do rosto colocando uma bola no crânio. Não poderia o fazer de outra maneira.
Apresento aqui essa metodologia como um estudo desevolvido e testado já faz algum tempo, portanto, exato. Qualquer outro método de estudo exato requer meios mecânicos, tais como o aparelho de projecção, o cálculo, o pantógrafo ou o emprego de uma ampliação com esquadro. Importa saber se na realidade é interessante desenvolver sua capacidade no desenho de cabeça ou se você se contentaria com meros empregos de meios mecânicos para realizá-lo. Se o último for o seu caso, então pare de ler essa postagem, ela não servirá para seus propósitos. Entretanto se o seu trabalho demanda de um desenho exato, e você teme correr riscos, procure desenhar a melhor cabeça com os meios que tiver ao seu alcance (Estas são palavras do Andrew Loomis). Não obstante, se você procura no seu trabalho a alegria e a emoção do sucesso, vou insistir que procure trabalhar no sentido de melhorar suas habilidade.
Nos desenhos acima e abaixo você pode ver as possibilidades de desenvolvimento de qualquer classe de tipo segundo as variedades de crânios. Após ter aprendido a técnica da esfera e do plano, você conseguirá fazer o mesmo com extrema facilidade, colocando cada parte nos seus respectivos termos através das divisões feitas na linha que está no meio do rosto, dispondo mandíbula, orelhas, bocas, nariz e olhos, sejam elas pequenas ou grandes. As maçãs do rosto podem ser altas ou baixas, o lábio superior longo ou curto, as bochechas cheias ou afundadas. Mediante as diferentes combinações destes elementos vocês conseguirão uma variedade quase infinita de características. Tais aspectos se constituem em um experiência muito divertida.
fonte: Andrew Loomis - Drawing The Head And Hands (1956)

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